Economia Circular: como se aplica ao setor têxtil?

maio 23

Se você se interessa por sustentabilidade, saiba que um conceito que tem ganhado destaque nos últimos anos é a economia circular.

Ela vai além da reciclagem e da reutilização de materiais descartados e proporciona mudanças mais impactantes na forma de consumo e na sociedade como um todo, gerando economia e preservando o meio ambiente.

Para compreender melhor sobre o tema e saber como ela se aplica ao setor têxtil, continue a leitura!

 

O conceito de economia circular

Atualmente, a produção é baseada em um ciclo linear em que as matérias-primas se transformam em produtos, são comercializadas e depois descartadas.

Neste sistema, o crescimento depende da utilização de novos recursos sempre, o que é um problema, uma vez que o esgotamento das matérias-primas é eminente.

Além disso, a contaminação gerada durante a produção e descarte de produtos também é tóxica para os seres humanos e para o planeta.

Ilustração representando um ciclo produtivo circular.
Como funcionaria o ciclo produtivo no formato da economia circular.

A economia circular surge com o propósito de resolver tais problemas e encontrar soluções mais inteligentes para continuarmos produzindo e consumindo, mas de uma forma mais sustentável.

Na economia circular, não são pensadas formas de gerenciar os resíduos provenientes da produção e consumo. Nela, os produtos são fabricados já para serem reaproveitados em fluxos cíclicos, tanto que a trajetória é nomeada de Cradle to Cradle (do berço ao berço).

Os produtos que são biodegradáveis (como os alimentos) podem ser produzidos em embalagens que também são biodegradáveis e de modo que não sejam tóxicos. Assim, retornam ao solo e se tornam nutrientes ao invés de veneno para o planeta.

Já os produtos que não são biodegradáveis, na economia circular, podem retornar ao fabricante para serem desmontados e regenerados para serem utilizados novamente.

Há também a proposta de fabricar produtos de modo que depois seus materiais técnicos possam ser reutilizados e os componentes biológicos sirvam para aumentar a riqueza do solo.

Outra opção é o compartilhamento das tecnologias, em que os produtos são alugados com os fabricantes ao invés de serem comprados. Se você já viu o aluguel de bicicletas e até de guarda-chuvas nas grandes cidades, saiba que eles podem ser considerados um avanço na adoção desse tipo de sistema.

 

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Aplicação e benefícios para a indústria têxtil

O impacto da indústria têxtil no meio ambiente é muito grande. São consumidos cerca de 93 quatrilhões de litros de água por ano, sem falar da produção de gases do efeito estufa que chega a impressionantes 1,2 bilhões de toneladas. Há ainda as microfibras de plásticos liberadas durante a lavagem das roupas que acabam chegando aos oceanos.

Entre as principais causas estão o descarte rápido das roupas, a baixa reciclagem e o uso insuficiente. As pessoas gostam de renovar o guarda-roupa constantemente e são pouquíssimas as peças recicladas posteriormente, o que se torna um problema na economia linear.

Uma das estratégias que podem ser adotadas é o conceito de produto de serviço. Uma empresa que fabrica roupas para bebê ou para grávidas, por exemplo, pode alugá-las ao invés de vendê-las. Além do preço ser mais acessível ao consumidor, é possível assegurar que as roupas serão utilizadas mais vezes antes de chegar ao fim da vida útil.

Roupas para gestantes oferecidas como serviço, através de pacotes de aluguel trimestral.
Um exemplo aluguel de roupas para a gestante são os pacotes oferecidos pela Bumpbox. Fonte: www.bumpbox.com.br

Algo muito similar ao que já ocorre quando se aluga trajes para formaturas e casamentos. Levando em consideração que muitas pessoas adquirem novas peças apenas para se adaptar a moda atual, esta solução causaria grandes impactos.

Com relação ao baixo índice de reciclagem e reaproveitamento de materiais — outro aspecto problemático existente no modelo atual — é possível produzir peças com materiais que possam ser reciclados com a mesma qualidade inicial. Porém, para isso precisam ser adotados os materiais certos para que essa prática seja, de fato, benéfica.

Um exemplo de estratégia que não funcionou por não se encaixar adequadamente a economia circular foi o da fabricação de camisetas com garrafas PET. Após a reutilização, tanto o algodão, como o plástico não conseguem ser reutilizados para nenhuma finalidade, nem se tornam biodegradáveis.

Como consequência, a solução acaba não se encaixando na proposta de transformação constante de tecidos. Para que casos como esse não ocorram, é imprescindível um trabalho colaborativo entre designers, fornecedores e marcas, além de muito investimento em estudos e tecnologias, como você pode perceber nestes 5 exemplos de iniciativas que buscam promover a economia circular.

 

+Saiba mais: Upcycling: o que é e seu impacto no futuro da produção

 

Importância da adaptação das empresas às atualizações no segmento

Com a implantação da indústria 4.0 cada vez mais se tornando uma realidade, chegou o momento das confecções e fábricas do segmento têxtil passarem a compreender a importância de implementarem as novas tecnologias, ou correm o risco de ficar ultrapassadas.

Todas as transformações trazem benefícios não somente ao consumidor e ao meio ambiente, como também tornam o processo produtivo mais eficiente e lucrativo. Além disso, ainda há o fato de que os millenials estão preocupados em consumir produtos sustentáveis de marcas que sejam realmente sustentáveis na prática e não apenas no discurso.

Não é à toa que grandes mídias estão alertando para estes fatos, como você pode ver na tradução deste artigo do The Guardian. A tecnologia é uma aliada, todos saem ganhando no final.

 

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Se você se interessou por este tema e deseja saber mais, confira também porque as empresas do setor têxtil precisam se adequar à indústria 4.0!