jun 20

O conceito de fast fashion é muito polêmico. De um lado, empresas investem com força total e afirmam que este é o futuro da moda, do outro, há quem não aprove o conceito por conta de seus pontos negativos que estão diretamente relacionados à sustentabilidade.

De fato, é necessário avaliar todos os impactos que ele traz. Confira agora quais são os impactos na produção têxtil e descubra como utilizá-lo de modo vantajoso, minimizando os impactos que ele causa ao meio ambiente!

 

O que é Fast fashion

O varejo padrão tem como objetivo consolidar a marca como criadora de tendência para o mercado consumidor. Para isso, investe em peças de alta qualidade, que saem a valores mais altos.

Já as fast fashion’s, querem seguir a moda do momento e priorizam a competitividade, reduzindo os valores dos produtos. Eles possuem mini coleções e as trocam muito rapidamente, por vezes, até diariamente.

Para diminuir as sobras, trabalham com estoques pequenos. Depois, basta vender rapidamente os produtos que estiverem na loja e liquidar os que não tiveram saída.

Outra característica da fast fashion é possuir diversos fornecedores diferentes e comprar regularmente.

 

O intuito é satisfazer os consumidores que buscam constantemente novidades.

 

Exemplos de fast fashion

Algumas lojas já adotaram essa transformação, incluindo a Marisa, a Riachuelo, a Zara, a Hering, a Forever 21 e muitas outras. No entanto, a que mais se destaca no setor é a C&A, pois a marca, além de adotar o conceito, também buscou caminhos para solucionar os possíveis danos que a adoção do método poderia causar.

Para isso, ela começou o projeto Mindse7, comercializado apenas por meio da Internet. Nele, ao invés de demorar quatro meses para lançar novas roupas, o processo todo dura 35 dias.

 

Banner da campanha de fast fashion da C&A Mindse7.
Fast fashion: Mindse7 a coleção capsula da C&A. Fonte: cea.com.br

Além de optar por coleções menores, também chamadas de coleções cápsulas, a empresa também faz os lançamentos semanalmente com modelos inspirados completamente nas tendências das ruas.

Com o sucesso das vendas, a empresa começou a experimentar o modelo nas lojas conceitos. Nesta época, o consumidor experimentava a roupa nas lojas, mas comprava a peça por meio da Internet. Atualmente, diversas lojas já contam com estoque para que a peça seja comprada na hora.

Quanto aos impactos ambientais, a C&A levou em consideração fatos que não podem ser ignorados, como os resíduos da produção que vão para o lixo (mais de 100 mil toneladas por ano), além do descarte das roupas, visto que os consumidores querem sempre adquirir peças novas para seguir a tendência.

Também há o problema dos resíduos (micropartículas de plástico) que se soltam das roupas durante a lavagem e que acabam contaminando a água.

Para reverter a situação, adotaram adotadas as seguintes estratégias:

  • Produção de peças com materiais sustentáveis;
  • Peças em algodão confeccionadas de forma sustentável;
  • Criação da Loja Eco, em Porto Alegre;
  • Programa de Coleta de Lixo Eletrônico para destinar baterias, pilhas e celulares a um descarte adequado;
  • Reutilização e reciclagem de cabides;
  • Investimentos constantes em sustentabilidade.

Dessa forma, o conceito fast fashion é utilizado, ao mesmo tempo em que a sustentabilidade também é levada em consideração. Interessante, não é?

 

Impactos da fast fashion na produção têxtil

Apesar de ser uma forte tendência e agradar aos consumidores, para a indústria têxtil o conceito fast fashion exige mudanças para que possa funcionar com eficiência e gerar lucro.

Afinal, como produzir peças em menor escala a custos mais baixos e manter a qualidade?

A boa notícia é que a indústria 4.0 consegue ajudar as confecções a atingir tais objetivos. Com a utilização da Internet das Coisas (IoT) e o Big Data, será possível adaptar as demandas em tempo real, fazendo com que a produção seja mais personalizada de acordo com a demanda.

 

Duas pessoas em uma reunião de uma empresa fast fashion analisando dados produtivos.
Eficiência produtiva requer um controle de qualidade e análise constante de indicadores.

Além disso, o controle de qualidade é realizado com muito mais eficiência e os equipamentos conseguem coletar dados enquanto realizam outras funções como a verificação de defeitos nos tecidos. Dessa forma, fica mais fácil evitar a produção de peças de segunda qualidade, além de saber qual o melhor corte para cada rolo de malha.

Também é possível acelerar procedimentos, como o relaxamento de malhas e o teste de tecidos, aumentando a produtividade. Até mesmo o estoque dos tecidos é beneficiado por meio de equipamentos que embalam os rolos e proporcionam uma otimização do espaço dentro do estoque.

 

E-book]Como garantir o controle de qualidade na indústria têxtil?

 

Por onde começar

Se você acha que essas transformações são futuristas, saiba que na verdade estes equipamentos já existem, inclusive para compra aqui no Brasil e muitas confecções já estão se adaptando. Seja para adotar o conceito de fast fashion ou apenas para otimizar a produção para manter-se competitivo, é importante conhecer as novidades do setor.

Confira essa entrevista que fizemos com Robson Wanka, Gerente de Educação do CETIQT e entenda mais a fundo como a Indústria 4.0 está transformando o segmento têxtil!