Indústria da moda

out 03

A indústria da moda não tem uma fama muito favorável quando o assunto é sustentabilidade, já que está na lista de atividades mais poluentes do mundo. Além disso, a mídia tem noticiado acontecimentos que ficaram conhecidos como “o segredo sujo”.

As denúncias são sobre o costume obscuro de incinerar e destruir produtos com pequenos defeitos ou que excederem a demanda de mercado. Para se adaptar à nova realidade de mercado, da indústria 4.0 e das exigências dos consumidores, as empresas precisam mudar a forma como produzem, pensam e comercializam.

Nesse sentido, abordaremos um breve histórico da indústria têxtil e exemplos de marcas que tem dado o bom exemplo sustentável por meio de novos processos e tecnologias. Conheça.

 

Indústria da moda e meio ambiente: um histórico nada sustentável

A indústria da moda é responsável, em média, entre 8% e 10% de toda a emissão global de gases causadores do efeito estufa, principalmente o carbono. Para ter uma ideia, essas porcentagens são superiores à poluição do setor de aviação e transporte marítimo.

Além dos gases-estufa, a produção têxtil gera toneladas de roupas sem utilidade para a indústria (manchadas, com pequenos furos ou danos mínimos) e pela população. Descarte esse que é feito em lixões, sem reutilização, reciclagem, separação ou reinvenção e que representa uma perda de US$ 500 bilhões/ano.

Com o início da utilização de eletricidade na indústria da moda, a produtividade começou a ser potencializa em níveis espantosamente crescentes, principalmente em razão dos modelos produtivos do toyotismo e fordismo.

 

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A indústria 4.0 no setor têxtil

A indústria 4.0, ou Quarta Revolução Industrial, prevê o uso consciente dos recursos e tecnologias disponíveis para a produção dos mais variados segmentos. Os impactos desse conceito são percebidos principalmente em âmbito de redução de custos, estoque e tempo gasto e aumento na produtividade.

A ideia não é somente sobre a indústria da moda adaptar as tarefas humanas pela automação, mas de reforçar e praticar a ideia de sustentabilidade e reaproveitamento de insumos por meio de maquinários modernos, eficientes e tecnologias.

 

Esses aspectos se fazem necessários para o desenvolvimento contínuo do setor e adaptação da nova realidade do mercado e do ambiente.

 

O Brasil ainda enfrenta desafios e bloqueios ao se integrar na indústria 4.0, sendo que isso é percebido pelo fato de que poucas grandes empresas se encaixam completamente nesse conceito.

Um dos principais motivos para isso é a crise econômica que eclodiu em 2017 e inviabilizou muitos investimentos em sistemas mais eficientes e processos que visassem o menor impacto possível no ambiente.

 

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O novo consumidor da indústria da moda (que pensa no meio ambiente)

É um fato perceptível a mudança de pensamento dos consumidores, que estão adotando hábitos mais conscientes e sustentáveis nas roupas e acessórios que compram, utilizam e descartam de maneira adequada.

Ao contrário de décadas passadas, o consumidor quer saber a procedência das matérias-primas, se há respeito ao meio ambiente, aos trabalhadores e animais. Nesse sentido, a busca é por produtos com cores mais básicas, reciclados, reflorestados, que passaram pelo upcycling e que sejam veganos e ecofriendly, por exemplo.

Portanto, é de extrema importância ressaltar que ter uma produção mais sustentável e eficiente é uma questão de sobrevivência e requisitos mínimos para se manter no mercado, sendo que esses aspectos procurados pelos novos conceitos dos clientes devem ser o ponto de partida para as adequações das empresas.

 

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Empresas da indústria da moda que estão dando o bom exemplo

Em uma realidade de degradação, algumas marcas nacionais estão sendo bem avaliadas pelos consumidores, já que estão dando o bom exemplo de sustentabilidade e produção consciente.

Pantys

Essa é uma marca nacional que, além de atuar no fortalecimento feminino, não segue padrões. A linha destaque da empresa é de calcinhas reutilizáveis que substituem os absorventes descartáveis.

Reserva/ Eva

Vencedora do prêmio Ecoera, em 2015, a marca Reserva/ Eva desenvolveu um tecido que se decompõe em apenas três anos. A empresa ainda oferece aulas gratuitas de modelagem e costura para a comunidade do Morro da Mangueira, no rio de Janeiro, com roupas que seriam incineradas.

Flavia Aranha

Marca paulista que somente atua com técnicas sustentáveis para tingir os tecidos. A empresa utiliza corantes naturais de fontes renováveis (folhas, raízes, árvores, frutos e cascas). Além disso, boa parte de todos os materiais utilizadas nas produções são de origem orgânica.

Parte da equipe de tingimento da Flavia Aranha. Fonte: flaviaaranha.com

A indústria da moda precisa ter em mente que é possível ser sustentável e, ao mesmo tempo, mais produtivo e lucrativo. Um erro muito comum é as grandes empresas seguirem o pensamento arcaico de que somente o volume da produção importa. Os consumidores querem e buscam por mais, principalmente valor e respeito ao ambiente.

Falando em indústria têxtil e produtividade, confira o nosso post com dicas de como otimizar a preparação de enfesto na moda.